Água da piscina verde: o que fazer para recuperar

Água da piscina verde: o que fazer para recuperar

Todo ano, entre setembro e novembro, o meu WhatsApp enche da mesma foto: uma piscina com água cor de sopa de ervilha, mandada por alguém que passou o inverno sem olhar para ela. Em Florianópolis isso é quase uma estação do ano. De maio a agosto a piscina fica de lado, a bomba liga menos, o cloro acaba e ninguém repõe. Quando chega o primeiro fim de semana de sol, a água está verde.

A boa notícia é que quase sempre tem volta, e sem esvaziar. A má é que a solução não é jogar um balde de cloro e esperar. Neste texto eu conto por que a água fica verde, a ordem em que eu faço a recuperação e os erros que fazem muita gente gastar produto à toa.

Por que a água fica verde

Em quase todos os casos, o verde é alga. Ela vem com o vento, com a chuva e com as folhas, e está sempre chegando na piscina. O que impede que ela cresça é o cloro livre na água. Quando ele acaba, a alga se multiplica rápido, ainda mais com calor e sol. Em poucos dias a água passa de limpa a turva, e de turva a verde.

Três coisas costumam vir juntas:

  • Cloro zerado. O cloro se gasta com o sol, com a chuva e com a sujeira que cai na água. Sem reposição, some em poucos dias.
  • pH alto. Com o pH acima de 7,8, o cloro que ainda existe perde boa parte da força.
  • Água parada. Com a bomba desligada, o filtro não passa a água, e o que cai no fundo fica lá apodrecendo e consumindo o pouco cloro que sobrou.

Existe um segundo tipo de verde, bem menos comum: a água fica verde, mas transparente, sem limo nas paredes. Aí o problema costuma ser metal dissolvido, geralmente cobre, que vem de alguns algicidas ou do próprio encanamento. É o mesmo cobre que deixa o cabelo loiro esverdeado depois do banho. O tratamento é outro, e o choque de cloro pode até piorar a cor. Se a sua piscina está verde e cristalina ao mesmo tempo, vale chamar alguém para medir antes de colocar qualquer coisa.

Antes de começar: quanta água tem a sua piscina

Todo produto de piscina tem a dose escrita por metro cúbico, e muita gente erra a quantidade porque não sabe o volume. A conta é simples para piscina retangular:

comprimento × largura × profundidade média = metros cúbicos

Uma piscina de 8 por 4 metros, com 1,40 m de profundidade média, tem 8 × 4 × 1,4 = 44,8 m³, ou seja, quase 45 mil litros. Se o fundo é inclinado, a profundidade média é a soma da parte rasa com a parte funda, dividida por dois.

Anote esse número. Ele vai ser usado em quase todos os passos abaixo, e é com ele que você lê a dose no rótulo.

A ordem que eu sigo para recuperar a água

A ordem importa mais que o produto. Cloro colocado antes de acertar o pH, ou numa piscina cheia de folhas, se gasta sem matar a alga.

  1. Tirar a sujeira grossa. Folhas, galhos e insetos saem com a peneira. Cada folha que fica na água consome cloro que deveria ir para a alga.
  2. Escovar paredes e fundo. A alga gruda nas paredes e nos cantos, e ali o cloro demora a chegar. A escovação solta o limo e deixa tudo na água, onde o tratamento alcança.
  3. Acertar a alcalinidade e depois o pH. A alcalinidade entre 80 e 120 ppm segura o pH no lugar. Com ela certa, baixe o pH para perto de 7,2 a 7,4, que é onde o cloro trabalha melhor.
  4. Fazer a supercloração. É uma dose bem maior que a do dia a dia, calculada pelo volume que você anotou, seguindo o rótulo do cloro de choque. Coloque no fim da tarde ou à noite: o sol destrói o cloro, e de dia uma parte se perde antes de agir.
  5. Deixar o filtro ligado direto. Pelo menos 24 horas seguidas. Acompanhe o manômetro: quando a pressão sobe, é hora de fazer a retrolavagem do filtro, senão ele para de segurar a sujeira.
  6. Decantar e aspirar. Com a alga morta, a água fica cinza ou azul turva. Um clarificante ou um floculante junta essas partículas e leva para o fundo. Com a bomba desligada, espere assentar e aspire com a válvula na posição de drenar, para a sujeira ir para o esgoto e não voltar para o filtro.
  7. Medir de novo. A piscina está liberada quando o cloro livre volta para a faixa de 1 a 3 ppm e o pH fica entre 7,2 e 7,6.

Numa piscina que ficou verde por algumas semanas, o processo costuma levar de dois a cinco dias. Se ficou o inverno inteiro, com o fundo coberto de folhas, pode levar mais e pedir uma segunda dose de choque.

Os erros que eu mais vejo

O mais comum é pular a escovação. A pessoa coloca o cloro, a água clareia por cima, e uma semana depois volta a esverdear. A alga que ficou grudada nos cantos e atrás da escada nunca morreu.

O segundo é aspirar a sujeira de volta para o filtro. Com muita alga morta no fundo, o filtro entope em minutos e devolve parte da sujeira para a água. Aspirar com a válvula em drenar perde um pouco de água, mas resolve.

O terceiro é misturar produtos. Nunca misture cloro com ácido ou com outro tipo de cloro, nem no balde nem no depósito: a reação solta um gás que faz mal. Coloque cada produto direto na água da piscina, um de cada vez, com a bomba ligada, e sempre o produto na água, nunca água sobre o produto.

E o quarto é entrar na água cedo demais. Durante a supercloração, o cloro está muito acima do que a pele e os olhos aguentam. Espere a medição voltar ao normal.

Esvaziar a piscina resolve?

Muita gente acha que o caminho mais rápido é esvaziar e encher de novo. Eu quase nunca recomendo.

Primeiro, porque são dezenas de milhares de litros de água tratada indo embora, e a água nova chega sem cloro e com o pH que vier da rua, então o tratamento começa do zero de qualquer jeito.

Segundo, porque piscina vazia corre risco. Nos bairros perto da praia, como os Ingleses, o lençol de água no terreno costuma ser raso. Com a piscina vazia, essa água pode empurrar uma piscina de fibra para cima ou estufar o vinil. O peso da água de dentro é o que segura a estrutura no lugar.

Esvaziar faz sentido em poucos casos: água com muito tempo sem troca, com lodo grosso no fundo, ou quando é preciso consertar o revestimento. Mesmo assim, é bom alguém avaliar antes.

Como não passar por isso no próximo inverno

A piscina parada não precisa de muito, mas precisa de alguma coisa. No inverno de Florianópolis, com menos sol e menos gente na água, o cloro se gasta mais devagar, e uma rotina leve resolve: bomba ligada algumas horas por dia, cloro e pH conferidos toda semana, folhas retiradas antes de afundar.

Quem usa capa protetora economiza bastante: menos folha, menos sol e menos chuva entrando. Mesmo coberta, a água continua precisando de cloro. Escrevi com mais detalhe sobre isso em piscina no inverno em Florianópolis.

Recuperar uma piscina verde custa bem mais, em produto e em tempo, do que manter a água tratada durante o inverno. Se você chama alguém para cuidar da piscina, vale ler antes o que conferir na hora de contratar: está em vai contratar um piscineiro?.

Quando chamar um piscineiro

Dá para fazer tudo isso sozinho, com paciência e um kit de teste de cloro e pH. Eu chamaria ajuda em três situações: a água está verde e transparente ao mesmo tempo (pode ser metal), o filtro ou a bomba não está funcionando direito, ou você já fez o choque uma vez e a água voltou a esverdear.

Eu cuido de piscinas nos Ingleses desde 2001 e faço essa preparação para o verão todos os anos. Veja os serviços ou mande pelo WhatsApp uma foto da piscina, o tamanho mais ou menos e o bairro.

Cristian Souza

Piscineiro nos Ingleses, em Florianópolis, desde 2001.